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Parque Molinológico

Património com história

O Parque Temático Molinológico é um espaço que aproveita os moinhos de água existentes nesta região há mais de dois séculos, construções também conhecidas por moinhos de rodízio horizontal e eixo vertical, uma vez que a roda ou conjunto de penas gira na horizontal, e a peça através da qual se transmite o movimento às mós encontra-se na posição vertical.

Muito ligada à sua realidade hidrográfica, dir-se-ia que a abundante água dos rios esteve omnipresente na vida económica de Oliveira de Azeméis, pois com ela se regaram os campos e, tão importante como isso, graças à força das águas, inúmeros moinhos em ambas as margens moeram farinha que, por sua vez, deu “alimento” a outra actividade complementar – a do fabrico do famoso pão de Ul. Mais tarde, outra actividade que se iniciou também com o aproveitamento dos moinhos de água foi a do descasque do arroz, que progressivamente, se foi modernizando, ganhando importância e primazia até aos dias actuais, traduzindo uma nova geração de actividade económica que tem animado Ul e as freguesias circunvizinhas. Actualmente, o sector de moagem, embora ultrapassado na predominância que outrora gozou, continua a manter aqui grande vitalidade. Também o pão de Ul continua a encher a boca de bom sabor. No descasque e embalagem de arroz, estão aqui implantadas as maiores indústrias nacionais do género. Este território, após mais de um século de exploração, tornou-se uma zona degradada, sobretudo dos pontos de vista ambiental e paisagístico, marcada por casas abandonadas, caminhos impraticáveis e em que são visíveis os estigmas que sempre são inevitáveis com o abandono de projectos que sustentaram durante muito tempo e em exclusivo o desenvolvimento local.

Felizmente que, no caso em apreço, os antigos proprietários dos moinhos e o Município local uniram esforços para promover nas freguesias de Ul e Travanca uma iniciativa de desenvolvimento integrado, capaz de reabilitar economicamente e socialmente a região e com uma componente cultural, ambiental e turística. O planeamento e a gestão do Parque Temático Molinológico, onde se insere o Núcleo Museológico do Moinho e do Pão, pertencem à autarquia. O financiamento inicial foi parcialmente suportado por fundos comunitários, no âmbito do III Quadro Comunitário de Apoio.

A História do local

O posicionamento geográfico do Parque denota uma vocação primitiva, de vigilância, já que a altitude do morro do Crasto, com 111 metros, permite avistar longas distâncias, sobretudo na direcção oeste, à costa. A altitude deste morro é acentuada por vales cavados pelos rios, atingindo um desnível máximo de 60 metros numa das vertentes. Os objectos retirados das imediações do Castro (escombros de recuperação da igreja de Ul em 1740) permitem reconhecer um importante povoado da romanização. São testemunho desses achados um marco miliário, a “milha XII”, e uma lápide com uma inscrição alusiva a um imperador romano, um “terminus augustalis”.

Localização do Parque Temático

Molinológico O Parque Temático Molinológico localiza-se nas freguesias de Ul e Travanca, a sul da sede do município de Oliveira de Azeméis. Ocupa uma área de 29 hectares, em espaço totalmente aberto, e inclui dois rios, o Antuã e o Ul, seu afluente. O Largo do Souto, na freguesia de Ul, é o principal ponto de referência para se aceder aos diversos espaços que integram o Parque. A centralidade que este espaço assume é reforçada pela presença de um pequeno aglomerado urbano, o Crasto, estando este relacionado com um castro referenciado à época lusitano-romana.

A paisagem natural

O meio físico é caracterizado por zonas com declives acentuados, convergindo nos rios, reforçando, a presença destes, a sua importância na estrutura da paisagem.
Verifica-se uma grande variedade de espécies vegetais, sendo que as autóctones, Quercus Robur (vulgo Carvalho), ainda mantêm uma forte presença. A vegetação ripícola foi sendo alterada com o sucessivo abandono dos terrenos marginais aos rios. Agora predomina a Acácia (variante austrália). Nos campos ainda se pode observar o cultivo do milho, cultura dominante, de regadio, e própria de locais abundantes em água.

A paisagem edificada

A criação do Parque resulta de uma forte presença neste espaço, bem como em toda a freguesia de Ul, de moinhos de água e respectivas infra-estruturas hidráulicas, açudes e levadas. Estes singulares edifícios traduzem o aproveitamento hídrico do rio, pela população local, para gerar um produto essencial à alimentação, o pão. A moagem de farinhas constitui uma especialização destas gentes, resultando actualmente numa identidade própria da freguesia de Ul

O moinho

O moinho de água de rodízio de eixo vertical é o único exemplar, dentro da variedade de engrenagens, existente no município de Oliveira de Azeméis. A engrenagem constitui um conjunto de elementos com diferentes materiais, sendo os mais conhecidos, as mós (duas), em pedra, que permitem a trituração dos cereais, e o rodízio, em contacto com a água, que transmite a rotação à mó superior.

Núcleo Museológico

A intervenção neste espaço assenta numa estratégia de valorização e requalificação das infra-estruturas associadas ao moinho – os açudes e levadas, bem como dos edifícios – os moinhos de água. O núcleo de moinhos, no lugar de Ponte da Igreja, reflecte este conjunto de acções, permitindo também divulgar as características da engrenagem e ofícios relacionados com a moagem, tendo sido recolhidos, para esse efeito, uma colecção de peças e utensílios desses ofícios.

Requalificação ambiental

Desenvolveram-se acções de limpeza de vegetação permitindo repor uma qualidade ambiental para fruição dos caminhos e trilhos pedestres presentes no parque. Estes espaços constituem, simultaneamente, locais de passeio e de acesso aos vários núcleos de moinhos dispersos na área do parque, sendo estes denominados pela sua localização: Ponte da Igreja, Adães/Azevilheira, Crasto/Dois Rios.

Actividades artesanais

O pão de Ul constitui um produto emblemático, com carácter artesanal, do município de Oliveira de Azeméis. A sua produção é feita maioritariamente em Ul sendo reconhecida a sua importância enquanto produto local. A criação do Parque pretende potenciar a sua divulgação sendo, para esse efeito, realizadas demonstrações de confecção do pão, através de um forno tradicional instalado no núcleo museológico.

Património a preservar

O Parque Temático Molinológico ocupa uma área de cerca de 28,5 hectares e localiza-se na área central da freguesia de Ul abrangendo também um troço da freguesia de Travanca, tendo o rio Antuã como limite entre as duas freguesias. Destaca-se na topografia deste espaço uma sobrelevação, o monte do Crasto, constituindo este o centro geográfico do Parque.

Este Parque é um projecto de desenvolvimento integrado, iniciado em 2000, que incluiu, por um lado, acções imateriais (levantamento das estruturas de moagem e de secagem, acções de sensibilização e de divulgação, edição de livros, realização de filmes) e, por outro, obra física, nomeadamente, a recuperação de moinhos, açudes, levadas e muros, recuperação de caminhos e pontes, a criação de infraestruturas turísticas e de equipamentos culturais.

Este projecto reúne todas as potencialidades para tornar-se um verdadeiro pólo de dinamização, com três vertentes:

  • Cultural – graças à preservação e reabilitação do património molinológico (nas suas componentes de arqueologia e história dos moinhos, dos moleiros e das padeiras de Ul e de arqueologia industrial); 
  • Científica – graças ao estudo e à divulgação que se pode fazer desse património, nomeadamente, através de um Centro de Documentação/Arquivo a criar no Museu, e das publicações do mesmo;
  • Pedagógica – graças à possibilidade que se oferece ao público português, nomeadamente, aos estudantes e outros interessados, de tomar contacto com o universo dos moinhos de água, da moagem, da panificação e dos moleiros e padeiras.